Natal e o consumismo - ACMA

11:00


   Não vou começar este post com os habituais criticismos a quem se esfola para dar presentes a toda a gente nesta época do ano - eu própria gosto de dar um mimo especial a quem me é mais querido e, honestamente, não me envergonho disso. Mas aí é que está: será que a azáfama das compras de Natal se destina só a quem nos é querido?

   Estaremos nós a querer compensar a nossa ausência durante o ano com uma prenda cara?

   Consumir não é errado mas, em vez de correr toda a malta a prendas que chegavam para alimentar uma família durante uma semana, porque não apostar em coisas mais simbólicas?
   Não me interpretem mal. Eu própria compro uma ou outra prenda cara, não sou exemplo para ninguém. Nesta época, olho sempre para o dinheiro que posso (e não que quero) investir e divido-o pelas pessoas a quem pretendo dar uma lembrança. No meu caso, opto por por o Ricardo em primeiro lugar e ver o que ele mais quer (dado que é no Natal que apostamos nas coisas mais "wow" e porque, diga-se de passagem, ele merece) e depois divido o que me sobra pelas restantes pessoas, calhando uma pequena lembrança a cada uma.

   O mais importante não são as prendas.
  De que serve dar uma prenda enorme a alguém quando sabem que, em todo o ano, não vão ter uma tarde para lhe dedicar? Para tomar um café? As prendas devem dar-se àqueles que passam o ano inteiro connosco e, por isso, merecem um bocado do nosso espírito natalício, do nosso carinho.

   Dar, só por dar, não é dar nada.
  Dar de nós é a melhor oferta que podemos dar aos outros. Por muito que gostemos de receber prendas (eu gosto, impossível seria negar), porque não nos preocupamos em dar razões aos outros para que nos queiram prendar?

   O Natal é para quem faz dele uma época melhor, e as prendas são para essas pessoas. Vamos esquecer as prendas-de-peso-na-consciência e vamos dar: dar sorrisos, dar abraços, dar amor. Durante todo o ano. Durante toda a vida.

   (Acrescento ainda que passei todo este post a reprimir-me de falar naqueles que davam tudo para terem alguém com quem partilhar esta quadra, qual dinheiro para prendas qual quê. Sejamos sensatos e, se queremos dar prendas a alguém de quem não nos lembramos nos restantes 364 dias do ano, damos a alguém que realmente necessite.)


   Como viram pelo título, este texto constitui a minha participação mensal do ACMA - A Cultura Mora Aqui (podem ver mais sobre o projeto e inscrever-se aqui) e podem encontrar os restantes textos nos blogs das outras participantes habituais:
   E as participantes deste mês são...

   E vocês, como encaram o consumismo típico desta época?






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7 comentários

  1. É verdade que há um consumismo muito grande, mas no meu caso como durante o ano não faço quase nenhuma compra esta altura é uma espécie de compensação. Eu pelo menos só dou prendas a quem acho que devo de dar e o que mais me chateia é quando me esforço imenso para escolher o presente perfeito e depois recebo uma caneca de 1,5$. Não quero parecer snobe, mas é verdade depois de tantos anos a receber sempre uma coisa qualquer comprada à pressa pela maior parte da família perco a vontade de receber.

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    1. Compreendo perfeitamente o que dizes e identifiquei-me bastante, excepto numa coisa: se, durante o ano, vir alguma coisa que ache a "prenda perfeita" para alguém próximo, sou capaz de comprar e oferecer logo, sem estar à espera do Natal. Mas claro que é bom quando sinto que as outras pessoas procedem da mesma maneira ou quando se esforçam por dar uma boa prenda. E não me refiro a prendas caras, basta que seja feitas com o coração para serem especiais. *

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  2. Concordo totalmente contigo! Aqui em casa já há muito que as prendas são apenas para os mais próximos e os outros recebem lembranças. O consumismo é muito grande nesta época e a imensidão de promoções fazem com que as pessoas não tenham tanta noção do dinheiro que estão a gastar. Gostei muito do post!

    Um beijinho,
    Bia do Bookaholic.

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    1. Obrigada, Beatriz. Sim, é essa a mensagem que queria passar! *

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  3. Não podia concordar mais contigo. Natal já não é a mesma coisa. Já há mais consumismo porque torna-se uma desculpa para comprar mais do que tradição. O que me deixa triste!

    Beijinhos
    That Girl

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  4. Estou a participar do ACMA deste mês e os nossos posts completam-se. Há um consumismo desenfreado nesta época que não entendo, parece que as pessoas esqueceram que o que mais importa é a partilha de afectos e não de bens materiais. Oferecer uma prenda porque tem de ser, nem que seja qualquer coisinha não tem grande lógica porque o que irá acontecer é que a pessoa que recebe vai fazer um sorriso amarelo e deixar aquela prenda de lado.
    Bom post, faz-nos reflectir :)

    Viver a Viajar

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